quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Thanatos


Dói... Não te vejo mas sinto o ardor que me despertas no peito.
Sinto-o. Sinto-o tanto. Sinto-o como se um punhal estivesse cravado no já frágil coração que trago no desgastado peito exposto.
Rompem-se todos estes vasos, artérias, veias, capilares.
Sangue, lágrimas e uma profunda dor lancinante estão agora derramados pelo gélido chão onde me deito.

Corro, procuro fugir desta dor.
Porém, constantemente te encontro pelas atulhadas ruas da minha memória.
Tento fugir de ti, desta dor, mas... para ti caminho. Porquê?
Algo se passa. O quê?


Sou engolida pelo mar que outrora esteve em mim.
Sinto-me fraca. Já não sinto o chão. A luz já não ofusca... ou cega estou.

Acho que desmaiei, perdi os sentidos.
Não sinto nada... todavia sinto esta dor que não cessa.
Trago um vazio que preenche o que ainda resta de mim.

Já não sou eu.
O que fui está agora exposto no chão que pisas.
Todo o meu sangue, todas as minhas lágrimas, tudo o que senti.
Ofegante, o respirar é anelado...
Fraca, tão fraca, frágil, quebradiça.

Vejo luzes, corpos opacos, sombras... Penumbra?



Última gota, quebrei.


Tanta luz...

sábado, 14 de novembro de 2009

Não consigo... mas tento.


Não consigo...

Tento, tento e volto a tentar mas... não consigo, eu apenas não consigo, não consigo.

Não consigo entrar na tua cabeça. Não consigo saber como e no que pensas...
Não consigo entrar no teu peito. Não consigo capturar cada sentir...

Mas tento, tento tanto, tão arduamente... Corro com a ingénua esperança de que valha a pena, de que consiga encontrar um rasto de ti, de quem és realmente...

Não consigo... Não te encontro. Esbarro somente com a gasta embalagem que teimas em usar, não contigo, não com o que realmente pensas e sentes.

Não deixo de tentar... Somos tão tão diferentes mas no fundo tão iguais. Não passamos de faces opostas de uma mesma moeda. Porém recusas dar-te e rejeitas o que dou...
Isso magoa-me... Sinto tanto cada negação. Sinto o espaço que se cria entre nós... Esse olhar... Frio.

Contudo não vou deixar de tentar compreender-te, de procurar-te.
Estou ciente de que posso sufocar-te mas eu, eu não sou capaz de te deixar, não sou capaz de não estar a teu lado e de não te tentar ajudar em cada pormenor. Não sou capaz de deixar de me preocupar, de me dar. Não sou.

Mas tu, tu não me deixas estar ai, ou aqui, ou algures. Não me deixas ser quem sou. Não me deixas cuidar de ti, não me deixas fazer com que cuides de ti. Não me deixas... e assim torna-se tão difícil...


Não consigo lutar por ti, ainda assim não consigo deixar de tentar...